sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ferramentas Virtuais de Comunicação



1 INTRODUÇÃO

Lembro-me de quando era criança, como ficava encantado e com os olhos colados na tela da TV ao assistir os famosos filmes de Far West, Faroeste ou Bang-bang, conforme costumávamos dizer. As cenas que muito me chamavam a atenção eram aquelas onde o destemido ‘mocinho’ cruzava planícies e vales em um belo cavalo, geralmente enfrentando desertos, rios, todo tipo de intempéries e, quase sempre, os temíveis peles-vermelhas. Tudo isso porque tinha que levar a correspondência civil ou do governo aos lugares mais remotos. E, por falar em peles-vermelhas, lembro-me que eles também faziam o possível para avisar uns aos outros que gente estranha havia invadido as suas terras. Para isso usavam formas de se comunicar bastante peculiares, dentre as quais as batidas de tambores e o bem conhecido sinal de fumaça. Como a comunicação era difícil naqueles tempos.
Hoje, quando vivemos o tempo das novas tecnologias, a figura de um índio tocando tambor ou de alguém montado em um cavalo levando uma bolsa de correspondências é tremendamente satírica, para não dizer ridícula. Poderíamos afirmar que nos nossos dias a dificuldade não é de se comunicar, mas de escolher por qual meio você quer fazê-lo.
Sendo assim, nesse breve trabalho quero falar a respeito dessas novas tecnologias. Em primeiro lugar definindo os termos dessa pesquisa. Depois, discorrendo a respeito do que sãos tais ferramentas, quais suas utilidades e, por fim, como usufruir destes recursos virtuais que povoam todo o nosso espaço urbano ou não, pululando sobre e através de nós por meio de cabos, ondas e fios.


2 DEFININDO OS TERMOS

Ferramenta
O Dicionário Aurélio Eletrônico[1] define a palavra ferramenta como substantivo feminino plural do latim ferramentum. Ferramenta é:
* Utensílio de ferro de um trabalhador;
* Por extensão, qualquer utensílio empregado nas artes e ofícios;
* Conjunto de utensílios de uma arte ou ofício;
* No sentido Figurado é qualquer instrumento;
* No sertão do CE é a designação dada às esporas do vaqueiro.
Etimologicamente falando, o termo ferramenta parece anacrônico e contrário a tudo o que temos hoje pois, na sua primeira definição, ele é um ‘utensílio de ferro de um trabalhador’, que por certo era rudimentarmente moldado no fogo. Entretanto, no próprio conceito de plural de ferramentum, ele é um ferramental, ou seja, não um instrumento, mas um conjunto de instrumentos para facilitar determinadas atividades.

Virtual
Virtual é o adjetivo comum de dois gêneros do Latim escolástico virtuale.
É aquilo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual;
* Suscetível de se realizar; potencial;
* Em filosofia, diz-se do que está predeterminado e contém todas as condições essenciais à sua realização. Sendo assim, opõe-se, a potencial e atual;
* Em Informática, é o que resulta, ou mesmo constitui de uma emulação, por programas de computador, de determinado equipamento, de um dispositivo ou recurso, ou de certos efeitos ou comportamentos seus[2].
Popularmente falando, virtual é tudo aquilo que diz respeito às comunicações feitas por meio de computadores ligados à rede mundial conhecida como Internet.

Comunicação
Ainda segundo o Aurélio[3], comunicação é o substantivo feminino que vem do Latim communicatione. Comunicação é:
* Ato ou efeito de comunicar; comunicar-se;
* Ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e/ou visual;
* Por extensão, a ação de utilizar os meios necessários para realizar tal comunicação;
* Por extensão, a mensagem recebida por esses meios;
* O conjunto de conhecimentos relativos à comunicação, ou que tem implicações com ela, ministrado nas respectivas faculdades;
* A capacidade de trocar ou discutir idéias, de dialogar, de conversar, com vista ao bom entendimento entre pessoas;
* Exposição oral ou escrita sobre determinado assunto;
* Participação ou aviso de fato ocorrido ou por ocorrer;
* Convivência, trato, convívio;
* Caminho de acesso ou de ligação; passagem; passadouro.
* Em Engenharia Eletrônica, a transmissão de informação de um ponto a outro por meio de sinais em fios, ou de ondas eletromagnéticas.
* Teoria Informática, transmissão de mensagem entre uma fonte e um destinatário, distintos no tempo e/ou no espaço, utilizando um código comum.
Poderíamos então dizer que comunicação é a materialização do pensamento humano com tudo o que ele comporta. Ela se dá por meio de signos que configuram uma linguagem conhecida pelas partes envolvidas.


3 O QUE, E QUAIS SÃO AS FERRAMENTAS VIRTUAIS DE COMUNICAÇÃO

Conforme vimos, o conceito de ferramenta traz em si a idéia de instrumentos, e não de um único instrumento. Logo, as ferramentas virtuais de comunicação também são muitas e variadas, cada qual dentro de um propósito minimamente definido. Porém, grosso modo, podemos dizer que essas ferramentas são instrumentos que medeiam a troca de informações através da rede mundial de computadores.
A seguir estarei relacionando as principais ferramentas virtuais de comunicação e suas funções.

a) E-mail ou email (Electronic mail) – É a mais popular das ferramentas de comunicação virtual; é o conhecido Correio Eletrônico. Criar uma conta de e-mail hoje é fácil, rápido e sem nenhum custo, mas nem sempre foi assim. Em meados da década de 90 quando o serviço começou a ser explorado no Brasil cada usuário tinha em média 5 MB de armazenamento pelos quais todos tinham que pagar.
b) Chats ou Bate-papo – São salas de encontros virtuais por afinidades. A maior parte dessas salas tem, identificados, determinados interesses como, por exemplo, amizade, namoro, religião, futebol, etc. Apesar de estarem perdendo espaço para os comunicadores instantâneos, este tipo de ferramenta ainda é muito usado, pois favorecem o reencontro de pessoas conhecidas.
c) Fóruns de discussão – São grupos organizados por temas. A comunicação se dá em uma página onde, além da discussão propriamente dita, as pessoas trocam idéias e informações que sempre se prolongam ou geram novos debates e discussões.
d) Fóruns de debate – São salas de discussão on-line que contam com a presença de um moderador e sua audiência para debate de temas específicos conforme definido pelo objetivo específico daquele fórum. Permitem a criação de comunidades, fechadas ou abertas ao público, de acordo com a conveniência do moderador. Pesquisas podem ser formatadas.
e) Salas virtuais – Funcionam como uma espécie de banco de dados nos quais diferentes tipos de informações são disponibilizadas por meio de arquivos. É um acervo que fica disponível 24 horas sem nenhum custo e permite que pessoas sem recursos financeiros possam desenvolver seus projetos escolares.
f) Comunicadores Instantâneos – São os famosos Messengers. Permitem a troca de informações, textos, arquivos, voz e imagens em tempo real entre pessoas que tenham esses programas instalados em suas máquinas em qualquer lugar do planeta. Uma vez ligado, estes programas permitem criar listas de amigos, informando-lhe quando estão online (conectados à Internet) ou offline (desconectados da Internet). Dentre eles temos:
# ICQ – Durante anos foi o mais popular dos comunicadores de mensagem instantânea, praticamente o pai de todos os similares modernos. A sigla é um acrônimo feito baseado na pronúncia das letras em Inglês (I Seek You), em português, Eu procuro você;
# MSN Messenger, ou apenas MSN - É um programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation;
# Yahoo! Messenger;
# Skype;
# IRC (Internet Relay Chat) – O IRC é um software que permite discussões em grupo e em tempo real na internet, etc.
g) Redes Sociais de Relacionamento – São sites onde amigos ou conhecidos com os mesmos interesses se comunicam. Também serve para encontrar amigos ou familiares dos quais não se têm notícias. Tendo em vista que o encontro se dá por afinidade, é necessário que você cadastre seu perfil, com informações pessoais básicas. Dentre os mais acessados estão:
# Orkut;
# 1Grau;
# Gazzag;
# Beltrano, etc.
Há também sites de relacionamento profissional, onde o princípio é o mesmo dos sites tradicionais. A diferença está no propósito que, em vez de puro passatempo, servem para unir profissionais de uma determinada área do conhecimento, facilitar a busca e disponibilização por vagas de trabalho, além de ser um ótimo cartão de visitas. Como bons exemplos temos o LinkedIn e Ryze.
h) Buscadores e Metabuscadores – São aquelas ferramentas que estão disponíveis na Internet que têm por finalidade buscar informações em outros sites através de mecanismos de indexação, repetição, prioridade etc. Dentre os principais estão:
# Google;
# Yahoo;
# Altavista;
# Msn;
# Radix, e muitos outros.
Existem buscadores com PhD, ou seja, que buscam em sites específicos de ciência e tecnologia. Através deles é possível encontrar livros técnicos, publicações especializadas e banco de dados. Alguns destes sites são: SciELO, scirus, Safari. E, ainda, buscadores específicos de blogs: Technorati, Feedster, Bloogz, e TopLinks.
i) Blogs – Blog é uma abreviatura do termo WebLog e se apresenta como uma página pessoal na qual o bloggeiro pode postar o que desejar. Por ser de fácil atualização, inicialmente era usado quase que totalmente como um diário virtual público. Hoje em dia, porém, muitas pessoas têm usado os Blogs para divulgar ensaios, artigos e até mesmo informações importantes como cotações, notícias, economia, negócios, política, etc. Os mais conhecidos são: Blogger, The Blog,  TypePad, e BliG.
j) Flog – Também conhecido como Fotolog ou Fotoblog, é uma página onde são colocadas fotos. As ferramentas do flog se restringem a postar fotos mas, assim como os Blogs há, também a possibilidade de as postagens serem comentadas pelos visitantes, o que dá ao dono da página a idéia de popularidade entre os outros fotologgeiros. Os serviços são oferecidos por: Fotolog, GigaFoto, e Flog Brasil.
k) Moblogs – São endereços que podem ser atualizados pelo celular. Sites como a Textamerica oferecem espaço onde textos, fotos e vídeos podem ser enviados de telefones celulares, por e-mails ou mensagens SMS.
l) Telefonia Virtual – Existem programas que permitem fazer ligações via IP, ou seja, permitem que a pessoa faça ligações locais, nacionais e internacionais utilizando a Internet. É preciso apenas que se tenha configurado um microfone e um fone de ouvido (ou caixa de som) para que o internauta possa conversar com qualquer parte do mundo com uma qualidade de som superior à da linha telefônica. Eis alguns programas: Skype, Yahoo Messenger, Voip – Obs. nem todos são grátis.
m) AVA – Ambientes Virtuais de Aprendizagem – É um espaço virtual na internet que possibilita a interação e comunicação entre professores e alunos através de debates, fóruns, chats, textos, e-mails, etc. Contando com suporte técnico, os usuários podem estar em espaços geográficos diferentes, mas conectados ao mesmo tempo, o que enriquece o processo de ensino aprendizagem.
Existem ainda outras Ferramentas Virtuais de Comunicação – particularmente de interesse escolar e acadêmico como o Dynamic Learning, Wikis, TelEduc, etc. Porém, creio que expus aqui as principais deixando uma vasta porta aberta para a curiosidade criativa, investigativa e - já criando um neologismo - a fuçativa, pois, em termos de novas tecnologias, é bisbilhotando que se encontra as melhores pérolas.


4 USANDO AS FERRAMENTAS VIRTUAIS DE COMUNICAÇÃO

É certo que ninguém que esteja iniciando o uso do computador e da Internet encontre, imediatamente, facilidade nesta via tão larga que é a Rede Mundial de Computadores. Para muitas pessoas, a Internet é uma caixa forte impenetrável onde, como nos filmes de Sherlock Holmes, apenas os especialistas, seja o mocinho ou o bandido, conseguem penetrar. Entretanto, as dificuldades não são motivos para desanimar nem mesmo para fugir ou criar aversão à Grande Rede e/ou às novas tecnologias. O importante é não ter pressa nem querer fazer tudo - ou de tudo - de uma vez.
Inicialmente, é preciso que o usuário tenha uma base no manuseio da máquina e dos navegadores para que possa começar a usufruir de todas as informações que estão disponíveis. Comece com uma conta de e-mail e mensagens instantâneas para que possa se familiarizar com o ambiente virtual. Se for possível, faça um bom curso em Instituições que tratam a Informática com seriedade como o SENAI, SESI, Microlins, e outros.
Conforme vimos, as ferramentas são muitas e diversas e certamente nem todas serão utilizadas ou úteis para determinadas pessoas. Além disso, novas ferramentas irão surgindo ao longo do tempo; muitas serão similares ou apenas atualizações das que já existem. É preciso discernir com serenidade que tipo de ferramenta se quer usar, quais os propósitos no seu uso e o que ela irá acrescentar, para que não se encha a máquina de coisas que ficarão pesando inutilmente. Enquanto isso vá conhecendo os buscadores, faça pequenas pesquisas e visitas a sites de relacionamentos, fóruns, etc., nos quais o ‘noviço’ internauta aprenderá a postar um comentário, que já será você escrevendo na Internet!
Os buscadores informam sobre sites e fóruns que falam das novidades tecnológicas e do modo de usá-las. Isso ajudará o aspirante a ganhar bagagem, se fortalecer, e se tornar um quase titular da Web. Quase porque em termos de computadores e Internet ninguém jamais será plenamente titular, nem saberá tudo, pois esse ‘tudo’ são bilhões e bilhões de megabytes em informações, programas, sistemas e linguagens que se renovam constantemente.
Freqüente Salas Virtuais e Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Converse, ou melhor, tecle com muitas pessoas e troque informações. Visite Flogs, Blogs e, por fim, quando se sentir seguro, desenvolva uma página pessoal (Blog ou Flog) a partir de modelos que você encontrará na Internet.
Um novo mundo aguarda por aqueles que encaram a vida com seriedade e otimismo; é o mundo dos capazes, não porque nasceram assim, mas porque se dispuseram a sê-lo!


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uso o termo ‘considerações’ finais porque penso que a palavra conclusão é bastante imprópria em qualquer assunto. Ainda que pareça redundante é preciso ressaltar mais uma vez que, mais do que em qualquer outro assunto, em termos de Informática nada é conclusivo. Logo, quero aqui deixar apenas considerações a respeito do que vimos.
Diante de tantas ferramentas percebemos como a comunicação evoluiu, se desenvolveu e expandiu, mas isso não prova que as pessoas estão se comunicando melhor. Podemos dizer que em determinados momentos o tambor e o sinal de fumaça seriam bem mais inteligíveis. Isso se dá porque existem muitos ruídos na comunicação, mas esse é um assunto que deixo como tarefa àqueles que tomarem conhecimento deste trabalho.
É imprescindível que aqueles que entram no mundo das comunicações saibam discernir os melhores canais, saibam captar os melhores sinais e tirar deles proveito para si mesmos e para aqueles que os rodeiam. Para isso mostramos aqui algumas ferramentas que, se bem escolhidas e bem usadas, serão de grande utilidade para os que delas necessitam. Desde o E-mail e Messengers, passando pelos Buscadores, Fóruns, Salas Virtuais e Blogs, todos têm uma função social e de inclusão muito importante. A cada um de nós fica a responsabilidade e a tarefa de ajudarmos para que elas cumpram esse papel e sejam, de fato, instrumentos de integração e de libertação para todos os povos.


REFERÊNCIAS

Dicionário Eletrônico Aurélio Século XXI. Windows, Versão 3.0. [s.l.]: Nova Fronteira; Lexikon Informática Ltda, 1999, CD-ROM.





[1] FERRAMENTA In: Dicionário Eletrônico Aurélio Século XXI. Windows, Versão 3.0. [s.l.]: Nova Fronteira; Lexikon Informática Ltda, 1999, CD-ROM.

[2] VIRTUAL, Idem.

[3] COMUNICAÇÃO, Idem.

* Trabalho produzido em outubro de 2008 para aprovação em Suíte BrOffice/Writer no Curso de Introdução à Educação Digital ministrado pelo NTE de Naviraí - MS.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A Páscoa nos dias de Jesus


O modo como a cidade de Jerusalém ficava por ocasião da Páscoa nos tempos de Jesus é assim adequadamente descrito:
"A cidade mesma e a vizinhança se tornavam mais e mais lotadas à medida que o dia da Festa se aproximava. As ruas estreitas, as sombras curvadas das lojas e a aglomeração de pessoas de todas as nações ainda eram como nos dias quando Jesus visitou Jerusalém pela primeira vez, ainda menino. Até mesmo o templo se apresentava com um aspecto singular durante este período, pois grandes espaços dos pátios exteriores ficavam cobertos com pequenos cercados cheios de ovelhas, cabras e gado que eram utilizados nos sacrifícios. Vendedores gritavam os valores de seus animais, ovelhas baliam, bois mugiam. Vendedores de pombas também tinham o seu próprio lugar separado dos outros. Oleiros ofereciam enormes pilhas de pratos de barro com muitas opções, bem como fornos para assar o cordeiro de Páscoa que seria consumido. Havia barracas de vinho, azeite, sal, e tudo o mais que o participante (ou seria freguês) precisava para oferecer o seu sacrifício. Pessoas que iam e voltavam da cidade, frequentemente carregando pesadas cargas, cortavam caminho passando pelo pátio do templo. Havia grande quantidade de bancas de câmbio para trocar a moeda estrangeira pelo shekel do templo, pois os sacerdotes só podiam receber esse dinheiro. E assim, toda essa confusão fazia do templo um grande e barulhento mercado".
Páscoa é o nome dado à mais importante das três grandes festas históricas anuais dos judeus. Ela foi preservada como lembrança do livramento que o Senhor trouxe quando passou por sobre as casas dos Israelitas ignorando-as, enquanto os primeiro filhos de todos os egípcios foram destruídos (Êxodo 12.13). Ela também é chamada de festa dos pães ázimos, asmos ou sem fermento porque durante sua celebração não era comido pão fermentado, e nem mesmo se guardava fermento em casa (Êxodo 12.15; 23.15; Marcos 14.1; Atos 12.3). Com o passar do tempo a palavra Páscoa para muitos judeus passou a significar o cordeiro que era morto na festa (Marcos 14.12-14; I Coríntios 5.7).
Em Êxodo 12.1-20 e 13.1-16 encontramos todos os detalhes da instituição desta festa que, logo à frente, foi incorporada nas cerimônias da Lei como uma das maiores comemorações da nação judaica (Levítico 23.4-8). Porém, entre a saída do Egito (Êxodo) e a entrada em Canaã, essa festa foi comemorada apenas uma vez, e esta celebração ficou registrada no livro de Números 9.5.
Ao compararmos vários textos bíblicos como Deuteronômio (16.2, 5, 6), II Crônicas (30.16), Levítico (23.10-14), Números (9.10, 11; 28.16-24) vemos que, tempos depois, surgiram muitas mudanças na forma de comemoração da Páscoa que eram diferentes da sua primeira comemoração. Além disso, o uso do vinho, do molho com as ervas amargas e um momento de louvor foram introduzidos (Lucas 22.17, 20; João 13.26; Mateus 26.30). Primariamente ela era uma ordenação comemorativa que lembrava aos filhos de Israel a sua libertação do Egito. Porém, e sem dúvida alguma, é também para os cristãos um símbolo da grande libertação que o Messias providenciou para todos os povos livrando-os da destruição da morte causada pelo pecado, e da escravidão do pecado, que é pior que a escravidão egípcia (I Coríntios 5.7; João 1.29; 19.32-36; I Pedro 1.19; Gálatas 4.4, 5).
Jesus é o Cordeiro de Deus que o Pai nos deu para que por seu sangue sejamos também livres da morte e da destruição eterna. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Ele é o nosso cordeiro pascal, a nossa Páscoa (I Coríntios 5.7).
Vamos dizer não aos ensinamentos errados e às fantasias puramente comerciais (consumismo). Páscoa é ressurreição e novidade de vida (Gálatas 5.1). Por isso vamos celebrá-la com muita alegria e desfrutar da libertação que Cristo conquistou com o oferecimento de si mesmo como o Cordeiro perfeito.


Valdenir Soares - Teólogo e Professor.
Traduzido e adaptado de BUSHELL, Michael S.; TAN, Michael D. (Ed.).
Passover (Easton Bible Dictionary). In: BibleWorks for Windows.
Big Fork: HERMENEUTIKA, 1998. CD-ROM.

sábado, 8 de março de 2014

Mulheres... simplesmente surpreendentes!


O capítulo vinte do Segundo Livro de Samuel nos conta a história de uma mulher que por sua sabedoria salvou toda uma cidade. Tudo começou com a rebelião de um desordeiro chamado Sheba contra o rei David, que havia perdido seu filho Absalão e estava passando por uma situação desfavorável. Este homem, aproveitando-se de uma discórdia entre as tribos de Israel e a de Judah, convocou os dissidentes de Israel e levantou uma revolta contra o rei. Percebendo a necessidade de se reprimir a rebelião o rei ordenou que um dos seus oficiais convocasse os soldados pessoais da guarda real e perseguisse os rebeldes.
Sob a liderança de Joab, comandante do exército de David, os soldados cercaram a cidade onde o grupo de rebeldes liderado por Sheba havia se escondido. Em pouco tempo haviam construído ali uma rampa e estavam prestes a derrubar os muros quando ouviram o clamor de uma mulher dizendo que queria falar com o comandante. Joab imediatamente se apresentou, e esta mulher o questionou a respeito do motivo pelo qual estavam invadindo a cidade, pois era cidade pacífica e antiga em Israel e tida como uma cidade mãe, herdeira das bênçãos do Senhor. Joab respondeu que não queria destruir a cidade nem fazer mal a ninguém, mas apenas capturar o rebelde Sheba que se encontrava entre os habitantes, e assim orientou a mulher para que o entregasse e ninguém sofreria dano. A mulher, rapidamente, falou aos moradores o que estava acontecendo e aconselhou-os a entregarem o agitador, o que foi feito prontamente, e o exército do rei se foi deixando-os em paz.
Aquela cidade era reconhecida como cidade fortificada e ali residiam muitos homens valentes, mas coube a esta mulher, cujo nome nem mesmo é mencionado, evitar que ela fosse invadida, saqueada e que muitos inocentes morressem nas mãos dos soldados de Joab.
Que nesse oito de março, ao comemorarmos o Dia Internacional da Mulher, não nos esqueçamos de homenagear e interceder por milhares - talvez milhões - de mulheres neste país e em todo o mundo que, como a mulher sem nome dessa história, agem no anonimato sem ter ainda muitos de seus direitos reconhecidos, dentre eles o direito mínimo de ser gente. Lembremos também que vivemos tempos de muitas e rápidas mudanças na sociedade onde a nossa “cidadela”, a família, está constantemente cercada por invasores que a ameaçam, que querem entrar (e entram) sem pedir a minha ou a sua permissão.
Por isso, nesses dias, carecemos dos atributos divinos tão presentes e tão expressivos nessas criaturas de Deus chamadas muitas vezes apenas de mulheres. Precisamos da coragem e ousadia de uma Débora, profetiza e juíza sobre Israel, que junto com Baraq comandou uma batalha contra adversários cruéis e os venceu (Juízes 4.1-24). Necessitamos encontrar em nossos dias mulheres de grande fé como aquela siro-fenícia que tendo apenas ouvido a respeito de Jesus veio e prostrou-se a seus pés crendo que ele poderia libertar a sua filha (Marcos 7.24-29). Esperamos, ainda, encontrar mulheres de sensibilidade como a samaritana, que rompe as barreiras dos preconceitos, se abre à salvação e dá novos rumos à sua vida e às de muitos outros através do seu testemunho (João 4.5-30, 39-42). E, por fim, esperamos encontrar mulheres como Maria, a mãe de Jesus, Maria, mulher de Cleopas, e Maria Magdalena, que amem a Cristo e sua obra a ponto de, se necessário, o acompanharem até a cruz (João 19.25).
Infelizmente, por fazer parte de um tempo e de uma cultura persistentes onde o homem sempre é mais valorizado, o nome daquela mulher não ficou registrado. Contudo, por sua sensatez, iniciativa e prontidão a história bíblica imortalizou o seu feito e lhe concedeu a honra de ser lembrada como mulher sábia que num momento decisivo refletiu com prudência e agiu em favor de todos (v. 16, 22). Ela soube pôr em ação a maior das dádivas dada a todos os seres humanos pelo Criador, mas particularmente desenvolvida pelas mulheres: o amor e impulso divino de preservação da vida.
O meu desejo é que neste mês todas sejam lembradas não apenas como mulheres, mulheres-esposas, mulheres-mães, mulheres-amigas... mas como presentes de Deus para abençoar o mundo.
Parabéns a todas!

Valdenir Soares - Teólogo e Professor